quinta-feira, 21 de junho de 2012

Tenho geito para o cinema, a família não se opõe


Joaninha- Parece-me que não deverá ser difícil conseguir o que pretendes. Apresenta-te ao Brum do Canto e dize-lhe muito simplesmente aquilo que me dizes na tua carta: "Tenho geito para o cinema, a família não se opõe, e como sou bonita e me apresento bem, espero que o físico não me atraiçôe o talento". O Brum do Canto, ou qualquer outro realizador, ajuizará das possibilidades e lavrará a sentença. - O tigre que figura ao lado da Dorothy Lamour é de carno e ôsso, sim senhor... - Mas quem te disse que os embriagam com champagne para que não façam mal às artistas!... Foi um humorista, pela certa... Quando muito, injectam-lhe entorpecentes... Tigres a beber champagne! Tens cada uma!

Secção de correspondência pelo
" HOMEM INVISÍVEL"
O homem que tudo sabe...

in "Posta Restante", Revista "Filmagem", nº 50, 24 de Outubro de 1942, pág.13

A Herondina Quintas gosta do Marlon Brando, que estava para ir para padre


Além de apreciar Marlon sob o aspecto físico, admiro o seu grande talento e  personalidade.
É um homem que, de um momento para o outro, viu o seu nome coroado de fama, e que, com as suas esplêndidas interpretações, satisfaz os mais exigentes.

Certo é que nem todos concordarão comigo. Os próprios colegas de Brando o detestaram, e nem todos terão ainda desfeito a sua má vontade contra uma pessoa que peca por possuir uma forte personalidade.
A sua maneira de ser agrada-me sobremaneira. Leio com prazer os artigos que lhe dizem respeito, e até mesmo naqueles que revelam os seus pontos fracos encontro elementos que me ajudam a defini-lo.

Ultimamente, formulou-se a hipótese de que Brando deixará o cinema para ser padre... É possível.
Um "astro" cinematográfico é um ser humano como qualquer outro, tendo assim plena liberdade de ser generoso e bom, e seguir as suas naturais inclinações.

Se isso sucedesse, perderia um "astro", mas sentiria ainda maior admiração por aquele que, acima das ambições materiais, sabe colocar as tendências sublimes do espírito.

HERONDINA QUINTAS
in "Página do Leitor", Revista "Plateia", nº 1, 1 de Janeiro de 1958, pág.30 


A Bandeira de Portugal voltou a flutuar em Cannes


Este ano, após uma longa ausência, a bandeira portuguesa voltou a flutuar, orgulhosamente, no pavilhão dos países concorrentes ao Festival de Cannes.
A representação portuguesa efectuou-se com o documentário "Sintra", de João Mendes, cuja exibição colheu os mais entusiásticos aplausos da selecta assistência, quer pela beleza das suas paisagens, quer pelo seu ritmo certo e seguro, que prendeu a atenção dos técnicos.
No final da exibição de "Sintra", o representante português, Dr. Félix Ribeiro, chefe da secção de cinema do S.N.I., foi muito cumprimentado por jornalistas e numerosas personalidades ali presentes.
O êxito alcançado por este regresso de Portugal ao Festival de Cannes veio provar, de maneira irrefutável, a razão das considerações várias vezes formuladas pela nossa revista.               

in  Revista "Plateia", nº 10, 15 de Maio de 1958, pág.6

Protestos contra os "bars" de cinema, que fazem pagar dois tostões por cada copo de água


Amigos da Sétima Arte - A vossa carta tem o ar duma tempestade dentro dum copo de àgua... Duas fôlhas dactilografadas, a protestar contra os "bars" de cinema, que fazem pagar dois tostões por cada copo de água - parece-me forte. - O problema oferece aspectos vários: não há dúvida que têm carradas de razão, quando se insurgem contra o sistema anti-higiénico de já haver copos de água cheios, a amolecer ao calôr e a absorver tôdas as poeiras, que pairam no ar; já não estou inteiramente de acôrdo quando vocês verberam os dois tostões. Lembrem-se de que os "bars" só funcionam vinte minutos por noite e pagam impostos como êstes: "aferição de medidas" e "licença de porta aberta", êles que só podem ter a porta aberta quando o cinema a tem, e que verdadeiramente só nos intervalos funcionam com normalidade... Isto, claro, não os absolve de outras "explorações"...

Secção de correspondência pelo " HOMEM INVISÍVEL"
O homem que tudo sabe...

in "Posta Restante", Revista "Filmagem", nº 50, 24 de Outubro de 1942, pág.13